terça-feira, 15 de junho de 2010

Relacionamento afetivo (texto produzido em outubro de 2005)

É fato que relacionar-se é algo quase inerente ao ser humano, pois o mesmo precisa de interação para sentir-se parte do todo. O crescimento dos indivíduos condiciona-se em grande parte à troca mútua que é diariamente realizada com as pessoas que os rodeiam.
Quanto mais estreito se torna o laço de união entre as pessoas, mais complexa tende a ser a relação, talvez por isto os enamorados tenham tantas dificuldades em manter um convívio harmonioso. As brigas e desentendimentos são na sua maioria causados pela dificuldade em lidarmos com a diferença. Diferença esta que muitas vezes é muito mais igualitária do que possamos constatar em uma primeira avaliação, já que frequentemente odiamos no outro características que também estão presentes em nossa personalidade. Quase sempre o companheiro (a) serve de espelho para que possamos enxergar algumas de nossas limitações, e como na grande maioria das vezes não estamos preparados ou dispostos a lidar com a constatação destas dificuldades, agimos com agressividade e aversão, distanciando de nós aquele que nos faz entrar em contato com quem verdadeiramente somos.
Existe na grande maioria dos relacionamentos amorosos uma forte necessidade de controle e domínio a serem exercidos por ambas as partes envolvidas. O sujeito precisa por motivos quase sempre egoístas fazer com que o outro perceba que sua leitura da realidade é a mais correta e verdadeira. Este tipo de comportamento denota quase sempre baixa auto-estima e insegurança, já que a precisão de comando traduz muitas vezes, nossa necessidade de sermos aceitos, mesmo que para isto careçamos nos impor perante o outro. Esta atitude de imposição e obrigação gera quase sempre repulsa e hostilidade entre o casal, desgastando assim a construção edificada.
Sabemos que por sermos indivíduos singulares, somos dotados de particularidades distintas. Cada um de nós possui dentro de uma relação afetiva suas próprias expectativas e modelos pré-determinados do que seria a perfeição ou pelo menos algo próximo disto. Quando frustrados somos muitas vezes guiados por condutas encolerizadas e destrutivas. Por isto torna-se importante a auto-vigília, somente desta maneira podemos nos tornar mais atentos para que nossos comportamentos não ponham a perder a relação na qual estamos inseridos. Nossa consciência quando aguçada, nos permite a percepção de nossos erros e claudicações.
De acordo com nossas escolhas, caso queiramos levar adiante nossos relacionamentos, precisamos procurar enxergar em cada discussão qual é a parcela que nos cabe dentro do problema, e qual a insegurança que nos move a agirmos de maneira muitas vezes incoerente e ditatória. Também o entendimento dos possíveis motivos para as reações do outro durante uma contenda é muito importante, pois nos possibilita uma intervenção mais carinhosa e compreensiva. Portanto percebemos que é preciso intenalizar a idéia que se relacionar nem sempre é fácil, exigindo dos envolvidos maturidade para compreender e aceitar o outro tal qual ele é, com seus defeitos e qualidades, enxergando nele antes de tudo um grande contribuidor para nosso crescimento e desenvolvimento pessoal.
A afetividade ampliada dentro de um relacionamento amoroso é de grande valia para que nos sintamos mais fortes em nosso caminhar. O companheirismo e a parceira adquiridos criam condições para uma existência mais plena e feliz.


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